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Crise espanta turistas estrangeiros
Setor registra desistências em feiras e eventos internacionais programados para a Capital: cerca de 93,5 mil pessoas deixaram de viajar no 1º bimestre
Alexssander Soares, alex.soares@grupoestado.com.br
O maior acidente aéreo brasileiro também será um episódio marcante para as empresas de turismo de negócios em São Paulo. Além da tristeza pelas mortes provocadas pela queda do Airbus A320 da TAM, o setor já registra o cancelamento de feiras e eventos internacionais programados para a Capital.
“Enfrentamos um baixo astral após o acidente aéreo e também pelos e-mails cancelando ou adiando eventos que seriam realizados em São Paulo”, afirma Mauro Scwhartzmann, presidente do Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais.
A crise dos aeroportos reflete-se negativamente na vinda de turistas estrangeiros para o Brasil, com o agravante, para o setor, da valorização do real frente ao dólar. “Estimamos uma perda acumulada entre 30% e 40% do movimento de estrangeiros”, ressaltou Scwhartzmann.
Em comparação com o primeiro bimestre de 2006, cerca de 93,5 mil turistas deixaram de vir ao Brasil nos dois primeiros meses de 2007. A queda representa 8% em relação a janeiro e fevereiro de 2006, quando 1,2 milhão de pessoas viajaram. Os números de desembarques internacionais são divulgados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
O clima de insegurança pós-acidente do Airbus também contaminou as empresas multinacionais. Agências de viagens começaram a receber e-mails das companhias, solicitando o cancelamento de passagens com embarque e até com conexões em Congonhas para funcionários, colaboradores e amigos. “Os executivos não deixam de voar, mas os cancelamentos em Congonhas terão vários efeitos na cadeia do setor do turismo de negócios em São Paulo”, afirmou Scwhartzmann.
O Sindicato das Empresas de Turismo do Estado de São Paulo (Sindetur) aponta uma perspectiva de queda de 20%, como ocorreu em maio, na procura por viagens, em relação ao mesmo período do ano passado. “O cenário é pessimista e só deve piorar”, disse o presidente da organização, Eduardo do Nascimento.
A rede hoteleira, que recebe passageiros vítimas do apagão aéreo que aguardam remanejamento de vôos, ainda não teve tempo para detectar os impactos negativos do acidente. A ocupação dos hotéis na capital paulistana deve subir até 8% ao ano, com metade desse acréscimo de passageiros de aviões.
O presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Caio Luiz de Carvalho, afirmou que a Capital vai absorver os prejuízos acumulados, principalmente se a redução no número de vôos anunciada para Congonhas devolver a credibilidade e a segurança. “São Paulo é a capital econômica do País. As pessoas vão chegar aqui de uma outra forma.”
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